
Um pai solo obteve a redução da jornada pela metade, de 44 para 22 horas semanais, sem perda de salário, para acompanhar o tratamento da filha de 11 anos. A decisão é uma sentença da 12ª Vara do Trabalho de Fortaleza, no TRT-7. Ela vale para esse processo, não cria regra para todos os pais, e a fonte informa que cabe recurso.
O que a Justiça decidiu?
O trabalhador é empregado da ECT desde março de 2015, coordenador de vendas em Fortaleza, com contrato de 44 horas semanais. Ele tem a guarda exclusiva da filha de 11 anos, que recebeu diagnóstico de TDAH e Transtorno de Ansiedade Generalizada.
Ele pediu, com urgência, menos horas de trabalho sem desconto no salário e sem ter de compensar as horas. A empresa respondeu que suas normas internas já oferecem auxílio especial e reembolso-babá e que as consultas poderiam ser marcadas fora do horário comercial.
A 12ª Vara do Trabalho de Fortaleza reduziu a jornada pela metade, sem prejuízo da remuneração e das vantagens do cargo. Para a sentença, a redução protege a dignidade, a família, a criança e a pessoa com deficiência, e não é um privilégio. A empresa tem 10 dias úteis após a intimação para cumprir, sob multa de R$ 500,00 por dia, limitada inicialmente a R$ 10 mil reais. O pai deve entregar ao RH, a cada semestre, laudos e relatórios atualizados. Segundo a fonte, cabe recurso, e não há notícia de que algum tenha sido apresentado.
Isso vale para o meu caso?
Não automaticamente. Trata-se de uma sentença de primeira instância, dada em um processo individual. Ela não muda a lei, não obriga outras empresas e pode ser revista se houver recurso. A fonte não informa se a decisão já é definitiva.
O resultado se apoiou nas provas do processo: laudos médicos e psiquiátricos, relatórios de terapia, declarações de centros de atendimento, certidões e a comprovação de que a guarda é do pai. Com outro diagnóstico, outra forma de guarda, outro empregador ou menos documentos, a conclusão pode ser outra.
O que a lei diz sobre o limite da jornada de trabalho?
A Constituição fixa a jornada normal em até 8 horas por dia e 44 horas por semana. Esse limite pode ser compensado ou reduzido por acordo ou convenção coletiva, que são negociações feitas com o sindicato. O que passa do limite é hora extra, paga com adicional de no mínimo 50% sobre a hora normal.
Compensar horas também segue regras. No banco de horas, as horas a mais de um dia viram folga em outro. Ele pode ser criado por negociação coletiva, com compensação em até um ano, ou por acordo individual escrito, com compensação em até seis meses. Horas não compensadas no prazo devem ser pagas como extras. Veja quando o banco de horas é irregular. No caso de Fortaleza, a sentença reduziu a jornada sem prejuízo da remuneração, com base em princípios constitucionais de proteção à criança e à pessoa com deficiência.
Como saber se o meu caso é parecido?
Neste processo, alguns elementos estavam presentes: o pai era o único responsável pela filha, a guarda estava comprovada, havia diagnóstico com tratamento contínuo e o pai relatou precisar acompanhar diariamente os tratamentos de saúde e a rotina escolar da filha. A ausência de algum desses pontos pode mudar a análise.
Documentos que costumam ajudar a mostrar a situação: laudos e relatórios médicos atualizados, declarações das clínicas com dias e horários, documento de guarda, certidão de nascimento, contracheques e conversas com o RH. Os registros de ponto mostram a jornada real; entenda como comprovar a jornada cumprida.
Cada situação depende da análise dos documentos do caso concreto.
- A decisão é uma sentença de Vara e cabe recurso; não é lei nova nem entendimento obrigatório para outras empresas.
- Neste caso, o pai precisa entregar ao RH laudos atualizados a cada semestre.
- A empresa citou benefícios internos, como reembolso-babá, e mesmo assim a sentença determinou a redução da jornada.
Esta publicação resume uma notícia oficial. O resultado do caso relatado depende dos seus fatos e provas; não garante o mesmo desfecho em outras situações.
Perguntas frequentes
Mãe solo também pode pedir redução de jornada para cuidar do filho?
O caso envolveu um pai solo, e a sentença se apoiou na proteção à criança, à família e à pessoa com deficiência. As informações disponíveis não indicam regra automática para outros pais ou mães. Cada pedido depende das provas e da situação concreta.
A empresa pode cortar meu salário se reduzir minha jornada?
Na sentença de Fortaleza, a redução veio com salário integral e manutenção das vantagens do contrato. Isso foi decidido para esse trabalhador, com base nas provas dele, e não se estende automaticamente a outros contratos.
Quais documentos foram usados para comprovar a necessidade?
Foram apresentados laudos médicos e psiquiátricos, relatórios de terapia, declarações de centros de atendimento, certidões e a comprovação de que a guarda da filha é do pai.
O que acontece se a empresa não cumprir a decisão?
A sentença deu 10 dias úteis, contados da intimação, para a jornada ser reduzida. Em caso de descumprimento, há multa de R$ 500,00 por dia, com limite inicial de R$ 10 mil reais.
Fontes e legislação consultada
Fonte oficial da notícia e textos legais usados na explicação.
- Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região: TRT-CE garante redução de 50% na jornada de trabalho de pai solo sem corte salarialnotícia publicada em 14/10/2026
- Constituição Federal de 1988art. 7º, XIII e XVI, da Constituição Federal
- Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5.452/1943)art. 59, §§ 2º e 5º, da CLT
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